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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Tosca opinião

Quem nunca ouviu a máxima "Todos merecem uma segunda chance"?!

Quando sofremos uma decepção pessoal, essa é uma das frases que nos vem a cabeça depois do assentamento das ideias.

Embora, por muitas vezes, não cedemos à tentação.

Mas, sempre haverá quem fique magoado e chore, mas, quando o tempo passa, decide dar aquela "segunda chance".

A Primeira chance foi cheia de virtudes sobressaltadas, qualidades admiradas, futuros projetados e aquela confiança, muitas vezes, exarcebada.

A segunda nunca será como a primeira. Foi construida uma barreira.

A segunda chance é cheia de receios e marcada por palavras lançadas no rosto alheio.

A desconfiança será sempre a dona da casa.

Já não haverá conversa sobre todas as coisas.

Haverá  alfinetadas nas horas da raiva.

E sempre haverá aquela pausa pra pensar porque está ali... e lembrará que existe ou existiu amor.

Que as qualidades superaram o errar.

E então você se arrependerá por uma coisa ou por outra, mas se arrependerá.

Seja por alfinetar ou por amar.

Élida Regina Pereira

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Vergonhas

Me peguei no ato despretensioso, distraído,  de levar a mão ao rosto e contorcer o corpo na tentativa de negar ou esquecer que um fato ocorreu.

Quisera eu, que sou tímida, que algumas memórias ficassem apenas comigo. Mas, por decorrência de um fato lógico e real, que é, não estar sozinha no mundo e ainda viver em um mundo cheio de camêras  e  trocas de informações rápidas, carrego vergonhas comigo e todas elas tem registros. Podem ser facilmente rastreadas.

Mesmo que as vergonhas não se mostrem, não se provem (talvez não deveriam ser chamadas de vergonhas, talvez sejam mais um constrangimento, ou um pequeno constrangimento),  elas estão sempre registradas na memória de outras pessoas, nas fotos, nos vídeos e sendo relembradas nas conversas em família.

Minhas vergonhas são relacionadas à infância, às vezes que eu bati o carro ( e sempre houve alguém pra rir), quando eu rolei nas dunas de areia e caí no rio (isso não foi na infância, na verdade, não completou um ano que isso ocorreu) e algumas outras. Está tudo registrado em videos, fotos e memórias alheias que eu não quero ver ou ouvir sobre.

Algumas vergonhas eu  me lembro vagamente, outras ainda estão cicatrizando e outras são apenas engraçadas. Quando me peguei nesse ato de negação do fato ocorrido, ou apenas uma tentativa involuntária de negação, cheguei a conclusão que as minhas vergonhas sempre ocorreram durante um processo de adaptação e aprendizagem.

Talvez, isso explique porque me sinto tão pressionada durante um processo de aprendizagem. A vergonha é um sentimento que marca e  são lembranças que quando menos se espera, elas retornam. Mas o fato é que, a vergonha só se potencializa se houver platéia. Concluo, somos muito cruéis uns com os outros.

Como se não bastasse passarmos as nossas próprias vergonhas, eu e muitas outras pessoas ainda sofremos de vergonha alheia. Essa vergonha alheia está muito relacionada ao um ponto de vista muito egoista do mundo, há uma limitação de ser. O que nos dá o direito de sentir vergonha de um ato alheio?

Sinto que minhas  vergonhas não tem conexão com arrependimentos, as vejo mais como pegadas do meu caminho de superação. E isto me consola... não completamente, mas consola!




Élida Regina Pereira