Quem nunca ouviu a máxima "Todos merecem uma segunda chance"?!
Quando sofremos uma decepção pessoal, essa é uma das frases que nos vem a cabeça depois do assentamento das ideias.
Embora, por muitas vezes, não cedemos à tentação.
Mas, sempre haverá quem fique magoado e chore, mas, quando o tempo passa, decide dar aquela "segunda chance".
A Primeira chance foi cheia de virtudes sobressaltadas, qualidades admiradas, futuros projetados e aquela confiança, muitas vezes, exarcebada.
A segunda nunca será como a primeira. Foi construida uma barreira.
A segunda chance é cheia de receios e marcada por palavras lançadas no rosto alheio.
A desconfiança será sempre a dona da casa.
Já não haverá conversa sobre todas as coisas.
Haverá alfinetadas nas horas da raiva.
E sempre haverá aquela pausa pra pensar porque está ali... e lembrará que existe ou existiu amor.
Que as qualidades superaram o errar.
E então você se arrependerá por uma coisa ou por outra, mas se arrependerá.
Seja por alfinetar ou por amar.
Élida Regina Pereira
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quarta-feira, 20 de agosto de 2014
domingo, 17 de agosto de 2014
Manhã Marinada
A água do banho,
A olhadela no mar,
As Lágrimas...
Na caminhada na chuva,
Hoje a manhã foi úmida.
Tanta coisa fora de alcance...
Aquele mar imenso,
As regras,
A vida das outras pessoas,
A minha chance.
Nessas águas encontradas,
A alma tornou-se cálida,
O mar casou-se com as lágrimas,
Foi manhã marinada.
Élida Regina Pereira
A olhadela no mar,
As Lágrimas...
Na caminhada na chuva,
Hoje a manhã foi úmida.
Tanta coisa fora de alcance...
Aquele mar imenso,
As regras,
A vida das outras pessoas,
A minha chance.
Nessas águas encontradas,
A alma tornou-se cálida,
O mar casou-se com as lágrimas,
Foi manhã marinada.
Élida Regina Pereira
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Laço
Ele já não reclama das coisas que eu faço,
Não se incomoda com o arroz queimado.
A Necessidade é o compasso,
É facilidade na execução do laço.
Élida Regina Pereira
Não se incomoda com o arroz queimado.
A Necessidade é o compasso,
É facilidade na execução do laço.
Élida Regina Pereira
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Vergonhas
Me peguei no ato despretensioso, distraído, de levar a mão ao rosto e contorcer o corpo na tentativa de negar ou esquecer que um fato ocorreu.
Quisera eu, que sou tímida, que algumas memórias ficassem apenas comigo. Mas, por decorrência de um fato lógico e real, que é, não estar sozinha no mundo e ainda viver em um mundo cheio de camêras e trocas de informações rápidas, carrego vergonhas comigo e todas elas tem registros. Podem ser facilmente rastreadas.
Mesmo que as vergonhas não se mostrem, não se provem (talvez não deveriam ser chamadas de vergonhas, talvez sejam mais um constrangimento, ou um pequeno constrangimento), elas estão sempre registradas na memória de outras pessoas, nas fotos, nos vídeos e sendo relembradas nas conversas em família.
Minhas vergonhas são relacionadas à infância, às vezes que eu bati o carro ( e sempre houve alguém pra rir), quando eu rolei nas dunas de areia e caí no rio (isso não foi na infância, na verdade, não completou um ano que isso ocorreu) e algumas outras. Está tudo registrado em videos, fotos e memórias alheias que eu não quero ver ou ouvir sobre.
Algumas vergonhas eu me lembro vagamente, outras ainda estão cicatrizando e outras são apenas engraçadas. Quando me peguei nesse ato de negação do fato ocorrido, ou apenas uma tentativa involuntária de negação, cheguei a conclusão que as minhas vergonhas sempre ocorreram durante um processo de adaptação e aprendizagem.
Talvez, isso explique porque me sinto tão pressionada durante um processo de aprendizagem. A vergonha é um sentimento que marca e são lembranças que quando menos se espera, elas retornam. Mas o fato é que, a vergonha só se potencializa se houver platéia. Concluo, somos muito cruéis uns com os outros.
Como se não bastasse passarmos as nossas próprias vergonhas, eu e muitas outras pessoas ainda sofremos de vergonha alheia. Essa vergonha alheia está muito relacionada ao um ponto de vista muito egoista do mundo, há uma limitação de ser. O que nos dá o direito de sentir vergonha de um ato alheio?
Sinto que minhas vergonhas não tem conexão com arrependimentos, as vejo mais como pegadas do meu caminho de superação. E isto me consola... não completamente, mas consola!
Élida Regina Pereira
Quisera eu, que sou tímida, que algumas memórias ficassem apenas comigo. Mas, por decorrência de um fato lógico e real, que é, não estar sozinha no mundo e ainda viver em um mundo cheio de camêras e trocas de informações rápidas, carrego vergonhas comigo e todas elas tem registros. Podem ser facilmente rastreadas.
Mesmo que as vergonhas não se mostrem, não se provem (talvez não deveriam ser chamadas de vergonhas, talvez sejam mais um constrangimento, ou um pequeno constrangimento), elas estão sempre registradas na memória de outras pessoas, nas fotos, nos vídeos e sendo relembradas nas conversas em família.
Minhas vergonhas são relacionadas à infância, às vezes que eu bati o carro ( e sempre houve alguém pra rir), quando eu rolei nas dunas de areia e caí no rio (isso não foi na infância, na verdade, não completou um ano que isso ocorreu) e algumas outras. Está tudo registrado em videos, fotos e memórias alheias que eu não quero ver ou ouvir sobre.
Algumas vergonhas eu me lembro vagamente, outras ainda estão cicatrizando e outras são apenas engraçadas. Quando me peguei nesse ato de negação do fato ocorrido, ou apenas uma tentativa involuntária de negação, cheguei a conclusão que as minhas vergonhas sempre ocorreram durante um processo de adaptação e aprendizagem.
Talvez, isso explique porque me sinto tão pressionada durante um processo de aprendizagem. A vergonha é um sentimento que marca e são lembranças que quando menos se espera, elas retornam. Mas o fato é que, a vergonha só se potencializa se houver platéia. Concluo, somos muito cruéis uns com os outros.
Como se não bastasse passarmos as nossas próprias vergonhas, eu e muitas outras pessoas ainda sofremos de vergonha alheia. Essa vergonha alheia está muito relacionada ao um ponto de vista muito egoista do mundo, há uma limitação de ser. O que nos dá o direito de sentir vergonha de um ato alheio?
Sinto que minhas vergonhas não tem conexão com arrependimentos, as vejo mais como pegadas do meu caminho de superação. E isto me consola... não completamente, mas consola!
Élida Regina Pereira
O Deslizar das mãos
Escorre delicadeza,
Com a maciez perfumada
Essa palavra engasgada,
Cuspida na fala...
Das mãos!
Enxuga sutileza,
Essa frangância entornada
Em pele rachada,
Curada com a tala...
Das mãos!
Desliza com leveza,
Na alma embrulhada
Na palma rosada,
Que a terra badala...
Com o deslizar das mãos!
Élida Regina Pereira
Com a maciez perfumada
Essa palavra engasgada,
Cuspida na fala...
Das mãos!
Enxuga sutileza,
Essa frangância entornada
Em pele rachada,
Curada com a tala...
Das mãos!
Desliza com leveza,
Na alma embrulhada
Na palma rosada,
Que a terra badala...
Com o deslizar das mãos!
Élida Regina Pereira
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Queria descrever alegrias
Gostaria de ser capaz de descrever um simples momento de alegria. Esses momentos tão raros e rápidos. Mas, não sou dotada de talento pra esse lado mais fugaz da vida.
Outro dia, sonhei que estava correndo, correndo de uma forma que a realidade jamais me permitiria! O sonho me presenteou com essa sensação e quando acordei, ainda cansada da corrida, faltou palavras pra descrever sensações tão realísticas . Uma sensação tão única, que continuará única.
Me vejo agora, com a inocência de uma menininha, reivindicando:
-- Não devia nos faltar palavras diante do mundo!
Pelo menos, diante do meu mundo. Mas falta!
Queria descrever quando me sinto pisoteando meu medo e o sorriso em meu rosto quando imagino ele no chão. Quando caminho sobre pedras e todas elas tem meu rosto. Quando atravesso a porta e encaro com coragem o não.
As palavras vem até mim, quando a sensação é longa. As alegrias são curtas, e mesmo que não sejam, elas parecem curtas. Preciso de um tempo longo pra digerir emoções, mas alegrias são fugazes!
Queria descrever alegrias... É só um desejo.
Me tranquilizo, porque nem sempre é preciso palavras. Nem tudo no mundo... é palavra.
Élida Regina Pereira
Observatório
O moço decidiu lavar as rodas da bicicleta na poça da chuva.
Roda a roda na poça da chuva,
Limpa a roda na água suja!
Élida Regina Pereira
quarta-feira, 30 de julho de 2014
A Parede e o Espelho
Do canto de cá, revejo o dia que a parede foi meu braço,
meu Abraço.
Caminhei, caminhei e encontrei apenas o Não!
Aquele não que eu mesma levei, e pesou na bolsa.
Minhas pernas trançaram procurando um conforto,
e eu encontrei essa parede,
Que me amparou em desconsolo.
No chão, com ela em minha proteção, eu chorei!
Ela viu minha ferida...
Semifluida.
Caminhei até o espelho,
e escrevi com batom vermelho:
Seja Forte, Seja Corajosa e Seja Melhor.
Tive sono...
Élida Regina Pereira
meu Abraço.
Caminhei, caminhei e encontrei apenas o Não!
Aquele não que eu mesma levei, e pesou na bolsa.
Minhas pernas trançaram procurando um conforto,
e eu encontrei essa parede,
Que me amparou em desconsolo.
No chão, com ela em minha proteção, eu chorei!
Ela viu minha ferida...
Semifluida.
Caminhei até o espelho,
e escrevi com batom vermelho:
Seja Forte, Seja Corajosa e Seja Melhor.
Tive sono...
Élida Regina Pereira
terça-feira, 29 de julho de 2014
Em vão
Um dia eu chamei teu nome e
Ecoou fundo no escuro.
Ficou a saudade de um nada,
Talvez um nome, numa voz sufocada.
Meu coração foi colado na jaula,
pulsou muito, mas
não pode resistir.
Queria mesmo era sentir,
aconchego em si.
Mas você...
não se apresentou pra mim!
Então,
o que sobrou
foi uma imagem projetada,
numa memória encabulada...
Foi em vão!
Élida Regina Pereira
Ecoou fundo no escuro.
Ficou a saudade de um nada,
Talvez um nome, numa voz sufocada.
Meu coração foi colado na jaula,
pulsou muito, mas
não pode resistir.
Queria mesmo era sentir,
aconchego em si.
Mas você...
não se apresentou pra mim!
Então,
o que sobrou
foi uma imagem projetada,
numa memória encabulada...
Foi em vão!
Élida Regina Pereira
terça-feira, 15 de abril de 2014
Voz
Gosto de derramar meus excessos! Exponho minhas contradições porque a sensibilidade me acompanha! Que essa seja minha companheira! Que ela me dê voz! Quando tenho voz, ganho força. Sem voz me esvaio e me vejo desfalecer!
Sou dor e só terei alívio dessa experiência agonizante, vida, com a morte!
Enquanto isso vou me esgarçar e se preciso... Gritar!
Sou carne ferida! Sou faces milhares!
Sou dor e só terei alívio dessa experiência agonizante, vida, com a morte!
Enquanto isso vou me esgarçar e se preciso... Gritar!
Sou carne ferida! Sou faces milhares!
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Alcohol
A vela apagada
A vida parada
A taça regada
A bebida entornada.
Sentir se bêbada
É entrar em si mesma
Encarar com clareza
A real natureza.
Eu rodei meu universo,
Vi a vida em seu inverso
Nem pensei no resto
E abracei em protesto.
Desejar o futuro
É querer o mundo
Mergulhar no profundo
Mesmo no escuro.
O choro escorrido
O lamento exibido
O erro polido
É reflexo, do trajeto escolhido.
A saudade é veneno
Sutil e elegante como o vento
Corrói em seu tempo,
Destrói por dentro.
Nem sempre, o sonho é bonito
Nem sempre é colorido
Nem sempre é dolorido
Não precisa ser sofrido.
Ninguém é Feliz por Completo
Se tem um pouco falta o resto
Se não tem pretexto
Tem excesso...
De vida!
Élida Regina
A vida parada
A taça regada
A bebida entornada.
Sentir se bêbada
É entrar em si mesma
Encarar com clareza
A real natureza.
Eu rodei meu universo,
Vi a vida em seu inverso
Nem pensei no resto
E abracei em protesto.
Desejar o futuro
É querer o mundo
Mergulhar no profundo
Mesmo no escuro.
O choro escorrido
O lamento exibido
O erro polido
É reflexo, do trajeto escolhido.
A saudade é veneno
Sutil e elegante como o vento
Corrói em seu tempo,
Destrói por dentro.
Nem sempre, o sonho é bonito
Nem sempre é colorido
Nem sempre é dolorido
Não precisa ser sofrido.
Ninguém é Feliz por Completo
Se tem um pouco falta o resto
Se não tem pretexto
Tem excesso...
De vida!
Élida Regina
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
CHOVEU
Choveu...
E eu... no breu,
No EU!
Doeu...
Marcou, cortou,
sangrou!
Fechou...
Insistiu, chamou,
gritou!
Travou...
Rangeu, resistiu,
Tremeu!
E...
Estancou!
Ouviu!
Abriu!
Choveu Dor...
Brotou amor!
Floriu...
Coloriu...
Expandiu...
Explodiu!
E eu... no breu,
No EU!
Doeu...
Marcou, cortou,
sangrou!
Fechou...
Insistiu, chamou,
gritou!
Travou...
Rangeu, resistiu,
Tremeu!
E...
Estancou!
Ouviu!
Abriu!
Choveu Dor...
Brotou amor!
Floriu...
Coloriu...
Expandiu...
Explodiu!
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Degraus
Fina Chuva... molhe minha pele e mostre-me o que é viver!
Desça vagarosamente da imensidão e elegantemente retribua esse afeto.
Formoso Vento ... Me ajude a respirar e soprar das minhas entranhas todos os dias a força dos meus ancentrais. Ancentrais, que me ensinaram e me ensinam que a dor é só um degrau da vida... Ainda há tantos outros!
Eu, o Formoso Vento e a Fina Chuva num diálogo constante sobre sermos os mesmos, numa diferente atmosfera.
E nessa conexão, Natureza e Eu...
Desça vagarosamente da imensidão e elegantemente retribua esse afeto.
Formoso Vento ... Me ajude a respirar e soprar das minhas entranhas todos os dias a força dos meus ancentrais. Ancentrais, que me ensinaram e me ensinam que a dor é só um degrau da vida... Ainda há tantos outros!
Eu, o Formoso Vento e a Fina Chuva num diálogo constante sobre sermos os mesmos, numa diferente atmosfera.
E nessa conexão, Natureza e Eu...
Nem tudo precisa ser dor. Há uma multidão de pessoas, amigos, histórias, referências e amores pulando "aqui dentro" e dizendo: VITORIOSA!
Élida Regina
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Sedutoramente
Vem em minha direção, caminhando elegantemente, sedutoramente me olhando. Ele não tem medo, não tem pena. É determinado, imponente. Sua presença, não passa despercebida. Todos comentam...
Determinado a me envolver... Se torna consistente, rígido, duro! Seus toques começam leves como vento e vão se transformando num objeto consiso. Vagarosamente me penetra, contornando minha profundidade, deixando minhas carnes trêmulas e meus ossos doloridos. Tudo com ele tem mais sabor. As taças de vinho são charmosas e mais desejadas, o calor humano é amplamente requisitado, cobertores se tornam aliados e extensão da própria pele. Quanto mais ele se aproxima, mais possibilidades são criadas para aquecer o charme, o desejo, o calor humano e a extensão da pele e tudo isso, se tranforma em prazer.
Frio... Não posso negar, és extremamente sedutor!
Élida Regina
Uma pausa!
Uma convulsão de acontecimentos e sentimentos me mostram como sou humana e limitada. Inserida em um dos momentos mais felizes da minha vida, meu corpo, de tanta euforia deu sinais de alerta. Minha mente num movimento frenético de quase vinte quatro horas por dia, não me dando tempo nem quando estou dormindo, tornou minha cabeça tão pesada a ponto dos ombros e pescoço sentirem dificuldades para suportá-la. A prescrição é relaxar, mas relaxar é uma das tarefas mais difíceis nesse momento. Quanto mais penso em relaxar, mais voltas meus pensamentos dão em torno das minhas escolhas, vivências e expectativas.
Dar uma pausa na atividade que já venho fazendo há algum tempo, me coloca numa retrospectiva para análise. Ser professora por esse tempo da minha vida me deu alguns momentos de alegrias, muito aprendizado, mas o que mais tive em exercício foi frustração. Frustração comigo mesma, com os outros e com o sistema. Passado agora essas frustrações, fica a lição de que, de fato, as relações de ensino aprendizado são à base de trocas, trocas humanas. Se tudo vai mal, todos são responsáveis. Principalmente eu, por não ter ousado mais, enfrentado mais esse sistema de alienação. O fato é, todos os envolvidos tem sua parcela de contribuição.
Apesar de tudo, me sinto mais viva do que nunca, cheia de anseios por novas vivências e principalmente cheia de coragem. Depois de uma vida inteira com inúmeras pessoas querendo me mostrar que eu era incapaz, provei a mim mesma que SOU CAPAZ!
A conclusão que cheguei, me diz que quem mais aprendeu e evoluiu nessa experiência, fui eu mesma!
ESTOU PRONTA!
Élida Regina
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Criação
Brota a imaginação,
Semeada pelo texto
Sempre regada quando leio.
Cresce a inspiração,
Amparada pelo apreço
Quando me deparo com o roteiro.
Floresce a criação,
Enraizada no contexto
De textos e roteiros alheios.
Surge então a admiração,
Pelos escritores e criadores
Que em mim semeio.
Élida Regina
Semeada pelo texto
Sempre regada quando leio.
Cresce a inspiração,
Amparada pelo apreço
Quando me deparo com o roteiro.
Floresce a criação,
Enraizada no contexto
De textos e roteiros alheios.
Surge então a admiração,
Pelos escritores e criadores
Que em mim semeio.
Élida Regina
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Solidão a mais de um
Eu já disse que o isolamento só quero se for na ilha que se chama OUTRO. Mas, ando revendo como seria esse outro. As relações humanas são tão complexas, que mesmo sabendo que não quero viver no isolamento, o contato com outras pessoas me torna aflita.
O que acontece? Demandamos força para manter um relacionamento humano com alguém e de repente... estamos sós! Uma sensação que causa dor a muitos, alguns esperneiam por isso, outros choram por não se sentirem amados, por não terem seus sentimentos correspondidos. Só pra lembrar, estou falando de relacionamento humano, independentemente da forma que vincula.
Não é nada agradável, quando estamos quase explodindo de felicidade por algo, queremos comemorar e quando olhamos pro lado... ninguém! Nenhuma pessoa, que você pensou que estaria feliz também, está lá! Ou numa situação mais comum, quando estamos tristes ou numa situação difícil, precisando de alguém e a unica pessoa que você pode contar é você mesmo.
Dialogando sobre isso, uma pergunta me foi feita: Se você estivesse numa situação que pudesse "salvar" a vida de apenas 3 pessoas, quais seriam as pessoas e quais seriam seus critérios de "salvação"? Não dá pra negar, que é uma questão que nos deixa num dilema muito grande, mesmo sendo uma situação hipotética. Além de nos mostrar que existe uma eleição de prioridade de queridos, tanto de nossa parte, como de outras pessoas. A situação ainda nos incube a difícil (ou impossível) missão de preservar a vida de alguém sem egoismo. Até por que, a vida tem sentidos diferentes para cada um, não posso pensar apenas no que eu gosto e as pessoas que quero mais perto de mim para tomar uma decisão assim. É difícil não errar!
Ando pensando sobre o bem que a solidão me traz e coincidentemente, no meio dessa reflexão me foi apresentado Rainer Maria Rilke, que tem uma opinião muito valorizadora da solidão. Ele discorre sobre ela, mostrando como podemos nos humanizar nos momentos que estamos sós. Estar sozinho e se focar pra dentro de si, pode te trazer resultados maravilhosos. As pessoas podem, inclusive, independentemente do gênero, ter a experiencia de dar à luz. Ele me diz o seguinte:
"Mesmo que se engane, o desenvolvimento natural de sua vida interior há de conduzi-lo devagar, e, com o tempo, a outra compreensão. Deixe a seus julgamentos sua própria e silenciosa evolução sem a perturbar; como qualquer progresso, ela deve vir do âmago do seu ser e não pode ser reprimida ou acelerada por coisa alguma. Tudo está em levar a termo e, depois, dar à luz."
Ouvir estas palavras me reconforta e me põe numa reflexão. Estou eu a pensar a solidão com o outro?
Élida Regina
sábado, 8 de junho de 2013
Delírio
Minha mente e meu corpo trabalham em ritmos diferentes. Quero tudo pra ontem, planejo uma coisa aqui, analiso outra ali, executo uma coisa aqui e quando faço o balanço, percebo que meu corpo não fez a parte que lhe cabia.
Será que há algo desconexo? Desconfio que sim! O corpo não é comandado pela mente? Entendo que, minha mente está orientando meu corpo. Está ou não está? Hum... Será? Ela anda me enganando... Acabo de constatar!
Esse corpo tem uma rebeldia cravada em suas carnes. Confesso que a rebeldia me alegra! Afinal, essa carne é uma parte minha, e saber que eu me rebelo contra mim mesma, me enche de orgulho!
Estranho isso, não é? Me faz voltar na questão da contradição.
Se quero algo, se preciso de transformação, preciso também que minha mente e meu corpo estejam em harmonia, trabalhando coletivamente para o resultado esperado. Mas se eles divergem entre si, fica difícil!
É bacana pensar que cada um age por si. Mas não é! Sabe por que? Um depende do outro para se fazer existir. Se minha mente cria e meu corpo não auxilia na execução, ambos, são obra e carne mortas.
O existencialismo me ensinou, que posso ser imortal. Como serei imortal com unidades tão desconexas? Se não me faço existir, nenhum vestígio meu sobrará sobre essa terra. Portanto, meus queridos, corpo e mente, tratem de entrar em acordo! Todo mundo terá que ceder!
Élida Regina
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Vire a Mesa!
É triste estar no engesso do compromisso, da falta de gosto e de vontade. Não existe êxtase e muitas vezes nem aprendizado. É um corpo, arrastado pelos pés, com muita dificuldade, demonstrando seu desânimo e recebendo de troco inquietação, infelicidade, rancor e tristeza. Fazer o que não gosta, o que não tem prazer, é como jiló cozido... Amarga. Amarga as horas, os dias, os meses, os anos... A vida!
E a vida, já afetada pela amargura e acorrentada pela obrigação, pela responsabilidade e pelo outro, não dá muita alternativa pra recomeçar. É preciso muita coragem pra não morrer na amargura. Exige- se determinação e aberturas. Não é possível zerar tudo, sem dar um passo atrás. Com coragem, ganha-se lá na frente.
Varias áreas da vida podem nos incomodar, pode ser uma amizade, um curso, um relacionamento ou qualquer outra coisa, mas o que mais pega, é sem dúvida, o emprego e questões atreladas as necessidades. Dois quesitos, que a política está intrínseca juntamente com suas contradições e amarras. Política, falso moralismo e sistema econômico na vida pessoal se torna um emaranhado difícil de desfazer. Uma reflexão daqui, outra dali. E a gente foge de uma coisa e se joga nos braços de outra, mostrando que é impossível fugir da contradição. Não existe liberdade, são apenas opções. Opções num labirinto, que torcemos numa aflição agonizante para encontrar a saída.
Pra mim mesma, eu digo:
Pra não morrer na amargura, no labirinto... Vire a mesa, faça o que parece loucura! Lembre-se: "As vezes é necessário, um passo atrás, para dar dois a frente!"
domingo, 2 de junho de 2013
Junho

Aaaah! Essa contagem em ciclos...
Um passo de cada vez e a gente vai alcançando. Muda-se o ciclo e a gente entra na contagem regressiva pra um momento aguardado, batalhado. Mais um mês começando e pensamentos se moldando. Cada dia que vai é um aprendizado, ou deveria ser. Dias mortos também vão e vem o lamento de ter passado em vão. Mas esse junho é especial... frio!
Dias frios me deixam "encasulada". Os pensamentos se focam em si mesmos. A vida se contrai nela mesma. Sâo ótimos pra nos presentear com idéias ou apenas preguiça.
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