quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A Rota do Indíviduo

"E no mistério solitário da penugem, vê-se a vida correndo, parada, como se não existisse chegada..."
Djavan/ Orlando Morais



Daqui de fora, tenho apreciado a beleza de uma forma muita mais terna. Algumas coisas são melhores apreciadas quando não há interferências. Aqui, minha maior companheira tem sido a caneta. E a palavra de ordem que tem me acompanhado é equilíbrio. Há um tempo a questão que faço pra mim mesma, é:  Como equilibrar essas pernas curtas entre um lado e outro do mundo? Há um tempo, também descobri que levo a vida muito a sério e gosto disso!

Já tem um ano que cheguei desse lado do mundo e as mudanças internas são imensuráveis. A sensação de um retorno ao básico, é inevitável. E ao mesmo tempo é visível a transformação. É uma sensação de perda e ganho numa mesma jogada. Como é difícil lidar com a saudade da família, muitas vezes, com a solidão que nos afeta e a necessidade de aprender tudo de novo e de novo.  Essas vivências me fizeram regressar dez anos da minha vida e me fizeram envelhecer dez. 

Aprendi a amar a minha língua, a minha cultura, a minha pessoal história. Quando se mergulha em um mundo totalmente desconhecido e totalmente 'cru', o esforço terá sempre que ser maior para se adaptar. E quando mergulhamos em outro idioma e outra cultura é importante não deixarmos nossas raízes de fora. Então, tenho tentado o equilíbrio.

Do lado de cá, tenho selecionado o que quero ver e ouvir daí. Tenho arquivado em minha memória belezas brasileiras, que eu gostaria que o mundo todo entendesse a língua portuguesa e tivesse a mesma sensação que tenho ao apreciá-las. Tenho administrado meus dias, com todas as dificuldades, pra equilibrar as duas línguas, as duas culturas, os dois mundos.

O tempo aqui passa numa velocidade, que por mais que eu tenha tempo pra fazer tudo, nunca é o suficiente pra ver o progresso que eu gostaria. O tempo de aprendizagem parece que não caminha com o tempo real. A paz que existe nesse lugar nem sempre me penetra. Por mais que tenho tido uma paz que nunca tive antes, sou uma alma aflita. 

Tenho aprendido, que preciso apreciar as belezas do mundo. A vida vai passando e cada dia nos despedimos dela...


''na tarde distante... ferrugem ou nada."



Há dias tenho apreciado essa música que deu nome ao texto e me faz refletir sobre vida e beleza. Me vejo na mesma posição do Dominguinhos diante dessa música... meus olhos enchem de lágrimas e  aquela sensação indescritível de estar viva para apreciar essa obra.





Por
Élida Regina Pereira

2 comentários:

  1. Lindo desabafo...
    E tendo a Rota do Indivíduo como fundo, tudo fica muito mais realista. Posso dizer que quase deu pra sentir o que você deve estar passando por aí... tão distante dos nossos valores, nossa cultura e calor. Tudo tem seu preço e seu benefício.
    Abraço grande!

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  2. Flávio, obrigada por compreender!
    Abraços!

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